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A importância da Acupuntura Japonesa na atualidade

A importância da Acupuntura Japonesa na atualidade

Desde a sistematização da acupuntura na China, há mais de dois mil anos, não só a acupuntura, mas o ser humano, vem passando por profundas transformações.

O estilo de vida da antiguidade e o dos tempos modernos são muito diferentes. O modo de vida no passado era mais ligado à natureza e ao campo, o trabalho era majoritariamente braçal, havia um contato mais profundo entre o homem e o meio ambiente; nos tempos modernos, a vida é pautada no intelecto, nas grandes cidades e nos meios de comunicação. Isso implica drasticamente na forma do ser humano se relacionar com os outros, com a natureza e consigo mesmo. Dessa forma, as doenças que existiram no passado não são as mesmas que existem nos tempos atuais, pois o ser humano mudou. E com essa transformação, as patologias que no passado eram mais fisiológicas, tornaram-se mais mentais e emocionais, como o estresse, a ansiedade, depressão, síndrome do pânico.

Na antiguidade, como o homem executava o trabalho braçal, ele mantinha uma estrutura física muito diferente da estrutura construída nos tempos atuais dentro das academias. O corpo do trabalhador era mais esguio, firme e com músculos em harmonia e, ao mesmo tempo, conseguia aguentar mais horas de trabalho pesado, vez que, desde tenra idade, era treinado para isso. O esforço físico do trabalho forjava uma estrutura diferente da que se consegue hoje, nos treinos de hipertrofia.

As academias de ginástica e afins são entidades comerciais, vendem ao cliente o sonho do corpo perfeito, imposto pelo padrão social vigente, objetivam criar modelos que imitem o que está em evidência como “belo”, o que geralmente resultam em áreas mais musculosas que outras, que aliadas ao uso de suplementos e anabolizantes, podem gerar profundas alterações energéticas no corpo.

O homem do passado era mais conectado com a natureza, pautava a sua existência em seus ciclos, observava as mudanças das alterações naturais. De certa forma, esse homem do passado, seguia os fluxos das marés, as fases lunares… já os seres humanos dos tempos atuais estão dentro de escritórios, shoppings, multinacionais e trabalham menos o corpo e mais a mente. Isso impacta na sensibilidade de cada um. A sensibilidade do homem antigo era em relação à natureza, a sensibilidade do homem moderno vai pro nível mental e emocional. Em decorrência dessa mudança houve uma alteração, no que diz respeito, à necessidade de estímulos. Antes, necessitava-se de estímulos mais fortes, agulhas mais grossas e técnicas que trabalhassem mais a parte corpórea, física e neuromuscular.

O homem moderno, desenvolveu uma sensibilidade emocional, mental, a parte energética tornou-se predominante em relação à parte física. Atualmente, as pessoas não suportam sentir dores, principalmente, as empregadas pelas agulhas. Os estímulos devem ser suaves e gentis, mais energéticos. Por isso, ao longo dos últimos mil anos, a acupuntura no Japão foi se adequando a estas mudanças energéticas e patológicas, pois as doenças de hoje transformaram-se, na mesma medida que seres também mudaram. Os mestres praticantes da acupuntura japonesa perceberam que estímulos suaves de inserção e técnicas de agulhas de contato produzem efeitos mais apropriados para a sociedade moderna, enquanto os métodos antigos da China preconizam inserções profundas e manipulações que estimulam o deqi, um estímulo neuromuscular e energético, oriundo da inserção e manipulação das agulhas no corpo, normalmente sentido como um choque.

A acupuntura praticada no Japão desenvolve-se cada vez mais para o campo sútil, com técnicas que simplesmente toca-se uma agulha de contato (de teishin) num ponto e produz um efeito em todo o sistema energético e no organismo.

Por esses e outros motivos, ouso a dizer que a acupuntura japonesa será a mais praticada no mundo nas próximas décadas, pois além de ser uma evolução da técnica praticada na China é a mais adaptada aos tempos modernos, tendo em vista que seu tratamento atinge não só a parte física e energética, mas os estados mentais e emocionais de desequilíbrio presentes na atualidade.

Reduzir os adoecimentos nos tempos modernos

Ao meu ver, o que precisa para ter mais saúde é voltar-se para a natureza, conceito que não significa tão somente o meio-ambiente, mas a essência do ser. Voltar-se no sentido de criar uma reconexão, pois esse vínculo vem sendo perdido ao longo do desenvolvimento das cidades.

O treinamento yamabushi para mim é uma forma de fazer essa reconexão, por isso que todos os anos eu vou para o Japão realizá-lo nas montanhas sagradas e, nos últimos tempos, tenho realizado também com grupos no Brasil. A filosofia yamabushi estimula seus adeptos a observarem a natureza, faz com que nos sintamos integrados às montanhas, pedras, plantas, cachoeiras, mares, enfim, à toda e qualquer manifestação de vida. Isso produz um estado de consciência, quietude, tranquilidade e pertencimento. Afinal, o ser humano é uma parte da natureza, personificada.

No Japão, fala-se que as almas dos mortos retornam para as montanhas, por isso, ao subirem no topo de uma montanha fazem uma oração, como forma de homenagear aqueles se foram.

O ritmo frenético de vida do homem moderno produz uma necessidade premente de reabastecimento, é essencial que façamos rupturas, mesmo que pequenas, com a rotina estressante. Ainda que seja por pouco tempo, um final de semana, por exemplo, é importante desvencilhar-se do ritmo caótica das cidades. Viajar para o interior, fazenda, cachoeiras ou ficar uma tarde no parque. Porque quando se observa a natureza, observa-se a si mesmo e as outras pessoas. A observação da natureza é uma atividade silenciosa, não intelectual e, através dela, começa-se a desenvolver o sentir. E o sentir vai além do intelecto.

O mestre Hoshino, que pertece a 13º geração de yamabushis da região de Yamagata no Japão e com que eu pratico Shugendô desde 2016.Orienta que todos os terapeutas devem subir a montanha, ir para a natureza para que possam aprimorar o “sentir”, vez que o trabalho do terapeuta é perceber, sentir o paciente e avaliar o melhor tratamento para cada caso. Sentir o estímulo adequado é conectar-se ao paciente. Quando nos refugiamos na natureza por um período, aguçamos a nossa capacidade natural de sentir. E o sentir na visão japonesa é despertar, se conectar com o que chamam Kokoro, que é exatamente a mente e o coração, a razão e a emoção fundidas, sem separação, sem dualidades. E usar disso é captar a essência, é integrar-se, naquele momento, ao paciente, utilizando-se do que é primordial ao caso, criando uma terapêutica personalizada e específica àquele ser, traduzindo-se efetivamente em mediador e catalisador da capacidade natural e inata de auto cura que todos nós trazemos em nosso âmago, e essa é tão somente a única e essencial missão dos terapeutas, ser um catalisador, da capacidade inata de cura daquele que está doente.

 

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